MUTAÇÃO CONSTITUCIONAL E AMPLIAÇÃO DO EFEITO ERGA OMNES: O FENÔMENO DO AFASTAMENTO DO SENADO FEDERAL DO CONTROLE DIFUSO DE CONSTITUCIONALIDADE

Autores

DOI:

https://doi.org/10.25110/rcjs.v29i1.2026-12290

Palavras-chave:

Mutação constitucional, Controle difuso, Efeito erga omnes, Senado Federal

Resumo

Este artigo analisa criticamente o fenômeno da mutação constitucional aplicado ao art. 52, inciso X, da Constituição Federal de 1988, que trata do controle difuso de constitucionalidade no Brasil. O estudo examina como a interpretação jurisprudencial do Supremo Tribunal Federal tem ampliado a eficácia erga omnes de decisões proferidas em controle difuso, mesmo sem a participação do Senado Federal, que, constitucionalmente, detém a prerrogativa de suspender a execução de normas declaradas inconstitucionais. Este tipo de processo interpretativo é problematizado sob a perspectiva da dignidade da legislação, da segurança jurídica e da separação dos poderes, evidenciando riscos à estabilidade institucional entre os poderes. A análise adotou o exame do Habeas Corpus nº 127.900, demonstrando a expansão do rol de legitimados para provocar a Suprema Corte e os efeitos normativos colaterais dessa mutação. Por fim, o artigo defende a necessidade de regulamentações e debates institucionais para mitigar efeitos indesejados da mutação constitucional, preservando a legitimidade do sistema jurídico e a participação democrática no processo de alteração constitucional.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

José Rodrigues Ferreira Júnior, Universidade Evangelica de Goiás

Professor Universitário na UniEvangélica em Anápolis - Goiás. Vice-presidente do NEAB (Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros da UniEvangélica. Doutorando em Direito Constitucional pelo IDP. Mestre profissional em Direito pelo IDP.

Rafael Silveira e Silva, Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa

Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade de Brasília (2013 e 2007, respectivamente). Possui graduação em Ciências Econômicas pela Universidade de Brasília (1997) e especialização em políticas públicas e gestão governamental pela Escola Nacional de Administração Pública (1998). Professor do Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP), do Instituto Legislativo Brasileiro (ILB) e do Instituto Serzedello Corrêa (ISC/TCU). Líder do Grupo de Pesquisa ''Processos de Mudança Constitucional e Legal'', no IDP, e do Grupo de Pesquisa ''Controle de Políticas Públicas'', no ISC/TCU.

Referências

ABBOUD, Georges. Crítica à jurisprudência do STF em matéria de controle de constitucionalidade. Revista dos Tribunais, v. 215, 2012.

BARROS, Hugo Chaves do Rêgo. O papel do Senado Federal no controle difuso de constitucionalidade: analisando uma teoria de mutação constitucional. 2015. Disponível em: https://repositorio.ufpb.br/jspui/handle/123456789/13236. Acesso em: 29 nov. 2021.

BARROSO, Luís Roberto. O controle de constitucionalidade no direito brasileiro. 5. ed. São Paulo: Saraiva, 2011.

BICCA, Carolina Scherer. Desmistificando o ativismo judicial. Revista Direito Público, Brasília, v. 9, n. 46, jul./ago. 2012. Seção Especial – Teorias e Estudos Científicos. Disponível em: https://portal.idp.emnuvens.com.br/direitopublico/article/view/2099/1109#. Acesso em: 13 abr. 2021.

BITTENCOURT, Carlos Alberto Lúcio. O controle jurisdicional da constitucionalidade das leis. 2. ed. Rio de Janeiro: Forense, 1968.

BRASIL. [Constituição (1988)]. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília, DF: Senado Federal, 1988. Disponível em: http://www.senado.leg.br/atividade/const/con1988/CON1988_15.09.2015/art_103_.asp. Acesso em: 12 mar. 2020.

BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Habeas Corpus nº 127.900. Relator: Min. Dias Toffoli, 3 de março de 2016. Diário da Justiça Eletrônico: n. 161, divulg. 2 ago. 2016, publ. 3 ago. 2016. Disponível em: https://redir.stf.jus.br/paginadorpub/paginador.jsp?docTP=TP&docID=11451173. Acesso em: 6 abr. 2021.

BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Habeas Corpus nº 222.044/MG. Relatora: Min. Cármen Lúcia, 14 de novembro de 2022. Brasília, DF, 2022b. Disponível em: https://portal.stf.jus.br/processos/detalhe.asp?incidente=6514806. Acesso em: 24 jun. 2025.

BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Reclamação nº 51.927/MG. Relator: Min. Dias Toffoli, 28 de setembro de 2022. Brasília, DF, 2022a. Disponível em: https://jurisprudencia.stf.jus.br/pages/search/sjur690019. Acesso em: 24 jun. 2025.

BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Reclamação nº 691/SP. Relator: Min. Carlos Medeiros, 25 de maio de 1966. Diário da Justiça, Brasília, DF, 24 ago. 1966. p. 2826. Ementário: v. 664, p. 44. Disponível em: https://jurisprudencia.stf.jus.br/pages/search/sjur152475/false. Acesso em: 21 maio 2021.

CANOTILHO, José Joaquim Gomes. Direito constitucional e teoria da constituição. 7. ed. Coimbra: Almedina, 2010.

CASTRO, João Bosco Marcial de. O controle de constitucionalidade das leis e a intervenção do Senado Federal. Porto Alegre: Núria Fabris, 2008.

CRUZ, Álvaro Ricardo de Souza. Jurisdição constitucional democrática. Belo Horizonte: Del Rey, 2004. Disponível em: https://books.google.com.br/books?hl=pt-BR&lr=&id=Xp7PAPe1z3cC&oi=fnd&pg=PA1&dq=jurisdi%C3%A7%C3%A3o+constitucional&ots=Hh_CaBKK9V&sig=BpAfVJHTfAR3XBE6e90j9ICPeGM#v=onepage&q&f=false. Acesso em: 1 dez. 2021.

DANTAS, Francisco Wildo Lacerda. Efeitos da inconstitucionalidade da lei (a questão da repristinação da lei que revogou disciplina legal anterior e que ela própria foi afastada por inconstitucional). Revista da Esmafe, Recife, v. 8, p. 23-42, 2004. Disponível em: https://revista.trf5.jus.br/index.php/esmafe/article/view/270. Acesso em: 21 maio 2021.

FERREIRA JÚNIOR, José Rodrigues. STF: necessidade de diálogo como instrumento democrático de prevenção à deformidade do ordenamento jurídico brasileiro. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2022.

GOMIDE, Mariana. Mutação Constitucional: um estudo sobre a influência norte-americana da Common Law no sistema romano-germânico brasileiro e na práxis do STF. 2017. Disponível em: https://www.pucrs.br/direito/wp-content/uploads/sites/11/2017/09/mariana_gomide_20171.pdf. Acesso em: 20 maio 2021.

HESSE, Konrad. Temas fundamentais do direito constitucional. Tradução de Carlos dos Santos Almeida, Gilmar Ferreira Mendes e Inocêncio Mártires Coelho. São Paulo: Saraiva, 2009.

MAIA, Christianny Diógenes. Por uma nova concepção jurídica de cidadania. In: MACÊDO, Dimas (coord.). Democracia e Constituição: estudos em homenagem ao Prof. Dimas Macêdo. Fortaleza: Edições UFC, 2008.

MARINONI, Luiz Guilherme. Aproximação crítica entre as jurisdições de civil law e de common law e a necessidade de respeito aos precedentes no Brasil. Revista da Faculdade de Direito da UFPR, Curitiba, n. 49, p. 11-58, 2009. Disponível em: https://revistas.ufpr.br/direito/article/view/17031/11238. Acesso em: 18 maio 2021. DOI: https://doi.org/10.5380/rfdufpr.v49i0.17031

MAXIMILIANO, Carlos. Hermenêutica e aplicação do direito. 19. ed. Rio de Janeiro: Forense, 2009.

MENDES, Gilmar Ferreira; COELHO, Inocêncio Mártires; BRANCO, Paulo Gustavo Gonet. Curso de direito constitucional. 3. ed. São Paulo: Saraiva, 2010.

NOVAIS, Fabrício Muraro; JACOB, Muriel Amaral. Mutação constitucional e abstrativização do controle difuso de constitucionalidade no Brasil: alcance eficacial do art. 525, § 12 do Código de Processo Civil. Pensamento Jurídico, São Paulo, v. 12, n. 2, p. 308-328, 2018.

RAMOS, Elival da Silva. Ativismo judicial: parâmetros dogmáticos. 2. ed. São Paulo: Saraiva, 2015.

SARMENTO, Daniel. O neoconstitucionalismo no Brasil: riscos e possibilidades. In: SARMENTO, Daniel. Filosofia e teoria constitucional contemporânea. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2009. p. 113-146.

SILVA, José Afonso da. Curso de direito constitucional positivo. 36. ed. São Paulo: Malheiros, 2012.

STRECK, Lenio Luiz. Contra o neoconstitucionalismo. Revista Eletrônica da Academia Brasileira de Direito Constitucional, Curitiba, v. 3, n. 4, p. 9-27, 2011. Disponível em: http://abdconstojs.com.br/index.php/revista/article/view/27. Acesso em: 3 jan. 2021.

STRECK, Lenio Luiz. Hermenêutica, neoconstitucionalismo e “o problema da discricionariedade dos juízes”. 2009. Disponível em: http://www.anima-opet.com.br/pdf/anima1/artigo_Lenio_Luiz_Streck_hermeneutica.pdf. Acesso em: 19 abr. 2020.

Downloads

Publicado

24-09-2026

Como Citar

FERREIRA JÚNIOR, José Rodrigues; SILVEIRA E SILVA, Rafael. MUTAÇÃO CONSTITUCIONAL E AMPLIAÇÃO DO EFEITO ERGA OMNES: O FENÔMENO DO AFASTAMENTO DO SENADO FEDERAL DO CONTROLE DIFUSO DE CONSTITUCIONALIDADE. Revista de Ciências Jurídicas e Sociais da UNIPAR, [S. l.], v. 29, n. 1, p. 175–200, 2026. DOI: 10.25110/rcjs.v29i1.2026-12290. Disponível em: https://www.revistas.unipar.br/index.php/juridica/article/view/12290. Acesso em: 25 set. 2026.

Edição

Seção

Artigos Científicos