ANÁLISE DA POSOLOGIA DE BULAS DE MEDICAMENTOS ANTIBACTERIANOS VETERINÁRIOS E IDENTIFICAÇÃO DE POTENCIAIS RISCOS DE RESISTÊNCIA BACTERIANA
DOI:
https://doi.org/10.25110/arqvet.v29i1.2026-12684Keywords:
Animais, Antibióticos, Resistência microbianaAbstract
O médico veterinário precisa seguir diversos critérios antes de prescrever antibacterianos, e um dos fundamentos é selecionar a posologia correta com base na literatura especializada. Ocasionalmente, utiliza-se a posologia recomendada nas bulas, e diversos profissionais relatam discrepância entre a posologia das bulas e o que se recomenda na literatura. Assim, o objetivo deste estudo foi comparar a posologia apresentada nas bulas de antibacterianos da linha veterinária com a posologia recomendada na literatura científica atualizada. Foram analisadas as bulas de todos os antibacterianos produzidos pelos laboratórios associados ao Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para a Saúde Animal (SINDAN) indicados para uso sistêmico em cães, gatos, equinos e bovinos. Observou-se que o percentual de observações com bulas que apresentavam posologia concordante com a literatura consultada foi de 50,0% para cães, 54,2% para gatos, 3,8% para equinos e 23,6% para bovinos. Do total de observações de antibacterianos da linha veterinária produzidos por laboratórios associados ao SINDAN, 32% apresentam dose e intervalo concordantes com a literatura consultada, o que pode favorecer o efeito terapêutico esperado; 35% combinam dose abaixo e/ou intervalo acima da referência, o que pode favorecer a resistência bacteriana, uma questão relevante para a saúde pública; 5% combinam dose acima e/ou intervalo abaixo da referência, o que pode causar intoxicação iatrogênica; e 28% apresentam outras combinações, com efeito indefinido. Essas possíveis consequências não foram avaliadas diretamente neste estudo. Conclui-se que a maioria das bulas dos antibacterianos da linha veterinária produzidos por laboratórios associados ao SINDAN no Brasil apresenta divergências na posologia em relação ao que recomenda a literatura consultada. O tipo de divergência mais frequente foi uma combinação de dose abaixo e/ou intervalo acima da referência, padrão que pode favorecer a resistência bacteriana caso essa associação seja confirmada por estudos que avaliem diretamente esse desfecho.
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