IMPLANTAÇÃO DAS EQUIPES DE SAÚDE BUCAL NO BRASIL (2002–2020): ASSOCIAÇÃO COM INDICADORES SOCIOECONÔMICOS
DOI:
https://doi.org/10.25110/arqsaude.v30i3.2026-12185Palavras-chave:
Atenção Primária à Saúde, Desigualdades de saúde, Política de Saúde, Saúde Pública, Serviços de Saúde BucalResumo
O objetivo do estudo foi analisar a implantação das Equipes de Saúde Bucal (eSB) modalidades I e II nos estados brasileiros, em relação ao Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), Gini e ao tamanho populacional, no período de 2002 a 2020. Trata-se de um estudo ecológico, retrospectivo e longitudinal, com análise de dados secundários, coletados na base de dados do Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil, IBGE e e-Gestor AB. Foi realizada análise espacial descritiva e, para investigar a associação com os indicadores socioeconômicos, ajustaram-se modelos lineares mistos com efeitos aleatórios. As análises foram conduzidas no software R, utilizando os pacotes lme4 e lmerTest, com nível de significância de 5%. A modalidade I apresentou crescimento expressivo ao longo do período analisado, enquanto a modalidade II teve uma expansão mais modesta. Apenas a associação entre a modalidade I e o IDH foi estatisticamente significativa (β = 6,44; p = 0,0359), indicando que o aumento de uma unidade no IDH está associado a um acréscimo de 6,44 unidades na taxa de cobertura da modalidade I, considerando as variações entre os estados e os anos. As regiões Sul e Sudeste apresentaram, majoritariamente, combinações de alto IDH com coberturas médias ou altas de eSB mod. I, indicando uma associação positiva entre o nível de desenvolvimento humano e a oferta dos serviços. O Nordeste, apesar de abrigar diversos estados com baixo IDH, revelou casos como Maranhão e Piauí com elevada cobertura de eSB, sugerindo a atuação de políticas compensatórias. Já no Norte, predominou a combinação de baixo IDH com coberturas baixa ou média de eSB mod. I, refletindo maiores desafios em termos de desenvolvimento e acesso aos serviços. O estudo reforça a expansão dos serviços com a Política Nacional de Saúde Bucal e destaca a necessidade de promover equidade na oferta, especialmente em contextos de vulnerabilidade.
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