RELAÇÃO ENTRE FREQUÊNCIA CARDÍACA E PERCEPÇÃO SUBJETIVA DE ESFORÇO EM IDOSOS DURANTE TREINAMENTO EM CIRCUITO: UM ESTUDO TRANSVERSAL
DOI:
https://doi.org/10.25110/arqsaude.v30i2.2026-12415Palavras-chave:
Idosos, Treinamento em circuito, Frequência cardíaca, Percepção de esforçoResumo
A frequência cardíaca (FC) e a percepção subjetiva de esforço (PSE) são amplamente utilizadas para monitorar a intensidade do exercício. A PSE é uma ferramenta prática e acessível, especialmente relevante para a autorregulação do esforço em programas voltados a idosos. O objetivo deste estudo foi investigar a relação entre FC e PSE durante uma sessão de treinamento em circuito (TC) em idosos ativos. Trata-se de um estudo observacional, analítico, de delineamento transversal, com 30 idosos (7 homens e 23 mulheres; X̅ = 63,6 ± 2,0 anos). Os participantes realizaram uma sessão de TC com duração de 45 minutos. A FC foi mensurada com oxímetro digital e a PSE pela Escala OMNI, com registros realizados em repouso, aos 15, 30 minutos e ao final da sessão. Os dados foram analisados por meio da correlação de Pearson e do teste t de Student para amostras independentes, com nível de significância de 5%. Observou-se um aumento progressivo tanto da FC quanto da PSE. Ao final do treinamento, a frequência cardíaca foi de X̅ = 112 ± 20,1 bpm para os homens e X̅ = 108,4 ± 21,0 bpm para as mulheres, enquanto a percepção subjetiva de esforço foi de X̅ = 5,6 ± 2,6 para os homens e X̅ = 5,5 ± 2,7 para as mulheres, sem diferenças estatisticamente significativas entre os sexos (p > 0,05). A correlação entre as variáveis tornou-se forte e significativa a partir dos 30 minutos (r = 0,62; p = 0,0002) e ao final da sessão (r = 0,62; p = 0,0003). A PSE mostrou-se uma ferramenta válida para o monitoramento da intensidade do TC em idosos, apresentando correlação consistente com a FC nas etapas finais da sessão. Seu uso, combinado com a FC, pode contribuir para uma prescrição de exercícios mais segura e individualizada para essa população.
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