AURICULOTERAPIA PARA PROMOÇÃO DA SAÚDE DA MULHER: UM ESTUDO COM MULHERES NEGRAS EM SITUAÇÃO DE VIOLÊNCIA

Autores

DOI:

https://doi.org/10.25110/arqsaude.v30i2.2026-12367

Palavras-chave:

Auriculoterapia, Práticas Integrativas, Mulheres, População Negra, Violência doméstica

Resumo

As Práticas Integrativas e Complementares em Saúde integram a política pública brasileira desde 2006, com o objetivo de ampliar abordagens terapêuticas e promover cuidados integrais e humanizados no Sistema Único de Saúde. Apesar dos avanços legais, há desigualdades na implementação dessas práticas, especialmente entre populações vulnerabilizadas, como a negra. Este artigo analisa a oferta da auriculoterapia como estratégia de promoção da saúde para mulheres negras em situação de violência doméstica atendidas em um centro de referência em Salvador (BA). Trata-se de uma pesquisa qualitativa, do tipo pesquisa-intervenção, com acompanhamento de nove mulheres entre março e outubro de 2024. Os dados foram obtidos por meio de diário de campo, prontuários e entrevistas. A intervenção resultou em benefícios como alívio de dores físicas, redução da ansiedade, melhora do sono e fortalecimento do vínculo terapêutico. As participantes destacaram a importância da escuta qualificada, do acolhimento e de espaços seguros para o autocuidado. A pesquisa reforça a necessidade de políticas públicas, além de maior investimento na formação de profissionais. Conclui-se que a auriculoterapia, se aplicada com compromisso com a equidade racial e de gênero, pode ser uma ferramenta eficaz no cuidado integral de mulheres negras em situação de violência, promovendo saúde, autonomia e enfrentamento das desigualdades.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Renata Souza, Universidade do Estado da Bahia

Enfermeira. Mestre em Saúde Coletiva pela Universidade do Estado da Bahia.

Suiane Costa Ferreira, Universidade do Estado da Bahia

Doutora em Educação e Contemporaneidade, Professora adjunta da Universidade do Estado da Bahia.

Referências

ALCANTARA, P. P. T. de et al. Cuidado integral às mulheres vítimas de violência. Ciência & Saúde Coletiva, v. 29, p. e08992023, 2024. https://doi.org/10.1590/1413-81232024299.08992023. DOI: https://doi.org/10.1590/1413-81232024299.08992023en

BARDIN, L. Análise de conteúdo. Lisboa: Edições 70, 1991.

BRASIL. Instituto de Pesquisa Data Senado, Secretaria de Transparência. Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher Negra. Brasília: Senado Federal, 2024.

BRASIL. Ministério da Saúde. Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares no SUS - PNPIC. 2. ed. Brasília: Ministério da Saúde; 2015.

PREFEITURA DE SÃO PAULO. Programa Tem Saída amplia e renova parcerias para atendimento de mulheres em situação de violência doméstica. Disponível em: https://prefeitura.sp.gov.br/w/programa-tem-sa%C3%ADda-amplia-e-renova-parcerias-para-atendimento-de-mulheres-em-situa%C3%A7%C3%A3o-de-viol%C3%AAncia-dom%C3%A9stica. Acesso em: 23 set. 2025.

BRASIL, Ministério da Saúde. Relatório de Monitoramento Nacional das Práticas Integrativas e Complementares em Saúde nos Sistemas de Informação em Saúde do SUS. 2024. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/relatorios/2024/relatorio-de-monitoramento-nacional-das-praticas-integrativas-e-complementares-em-saude.pdf. Acesso em: 09 ag. 2025.

CHEFFER, M. F. et al. Inserção de auriculoterapia no processo de trabalho de enfermeiros na atenção básica: potencialidades e fragilidades. Scientific Electronic Archives, v. 15, n.5, 2022. DOI: http://dx.doi.org/10.36560/15520221532 DOI: https://doi.org/10.36560/15520221532

CORRÊA, H. P. et al. Efeitos da auriculoterapia sobre o estresse, ansiedade e depressão em adultos e idosos: revisão sistemática. Revista da Escola de Enfermagem da USP, São Paulo, v. 54, p. e03626, 26 out, 2020. DOI: https://doi.org/10.1590/s1980-220x2019006703626

DAMASCENO, K. S. M. et al. Efetividade da auriculoterapia na redução de estresse em trabalhadores de saúde: ensaio clínico controlado randomizado. Rev Latino-Am Enfermagem, v.30, e3771, 2022. DOI: https://doi.org/10.1590/1518-8345.5992.3772

DIAS, A. B. et al. O toque afetivo na visão do enfermeiro. Revista Brasileira de Enfermagem, v. 61, p. 603–607, 2008. DOI: https://doi.org/10.1590/S0034-71672008000500012

DIAS, S. A. S.; CANAVEZ, L.S.; MATOS, E.S. Transtorno de estresse pós-traumático em mulheres vítimas de violência doméstica: prejuízos cognitivos e formas de tratamento. Revista Valore, v.3, n.2, p:597-622, 2018. DOI: https://doi.org/10.22408/reva322018114597-622

FORD-GILBOE, M. et al. Trajectories of Depression, Post-Traumatic Stress, and Chronic Pain Among Women Who Have Separated From an Abusive Partner: A Longitudinal Analysis. Journal of Interpers Violence, v.38, n.1-2, p:1540-1568, 2023. DOI: https://doi.org/10.1177/08862605221090595

FÓRUM BRASILEIRO DE SEGURANÇA PÚBLICA. Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2023. São Paulo: FBSP; 2023. Disponível em: https://forumseguranca.org.br/wp-content/uploads/2023/07/anuario-2023.pdf. Acesso em: 09 ag. 2025.

FRANKS, P.; FISCELLA, K.; MELDRUM, S. Racial disparities in the content of primary care office visits. Journal of General Internal Medicine, v. 20, n. 7, p. 599–603, 2005. DOI: https://doi.org/10.1007/s11606-005-0106-4

GUIMARÃES, M. B. et al. As práticas integrativas e complementares no campo da saúde: para uma descolonização dos saberes e práticas. Saúde e Sociedade, v.29, n.1, e190297, 2020. DOI: https://doi.org/10.1590/s0104-12902020190297

JESUS, L. L. et al. Aspectos da (in)segurança alimentar e nutricional vivenciados por mulheres marisqueiras. Segurança Alimentar e Nutricional, v. 30, p. e023024, 2023. DOI: https://doi.org/10.20396/san.v30i00.8673751

OLIVEIRA, B. M. C.; KUBIAK, F. Racismo institucional e a saúde da mulher negra: uma análise da produção científica brasileira. Saúde em Debate, v. 43, p. 939- 948, 2019. DOI: https://doi.org/10.1590/0103-1104201912222

PEREIRA, J. G. C. et al. Effects of the implementation of integrative and complementary practices in public health policies: Literature review. Research, Society Development, [S. l.], v. 12, n. 7, p. e11312742639, 2023.

INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Pesquisa Nacional de Saúde. Rio de Janeiro: IBGE; 57 p, 2021.

PIOSIADLO, L. C. M; FONSECA, R. M. G. S. D.; GESSNER, R. Subordination of gender: reflecting on the vulnerability to domestic violence against women. Escola Anna Nery - Revista de Enfermagem [Internet], v. 18, n.4, 2014. DOI: https://doi.org/10.5935/1414-8145.20140104

ROCHA, M. L.; AGUIAR, K. F de. Pesquisa-intervenção e a produção de novas análises. Psicol cienc prof., v.23, p:64-73, 2003. DOI: https://doi.org/10.1590/S1414-98932003000400010

RODRIGUES, C. C. Em que lugar político e institucional se encontram as práticas integrativas e complementares?37p. Trabalho de Conclusão do Curso. Programa de Pós-graduação em Educação da Faculdade de Educação. Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 2014.

RUELA, L. O. et al. Implementação, acesso e uso das práticas integrativas e complementares no Sistema Único de Saúde: revisão da literatura. Ciência & Saúde Coletiva, v.24, n.11, p:4239–4250, 2019. DOI: https://doi.org/10.1590/1413-812320182411.06132018

SAHA, S.; ARBELAEZ, J. J.; COOPER, L. A. Patient–Physician Relationships and Racial Disparities in the Quality of Health Care. American Journal of Public Health, v. 93, n. 10, p.1713–1719, 2003. DOI: https://doi.org/10.2105/AJPH.93.10.1713

SÁNCHEZ ARTEAGA, J. et al. Alterização, biologia humana e biomedicina. Scientia studiae, v.13, p:615-41, 2015. DOI: https://doi.org/10.1590/S1678-31662015000300007

SILVA, M. A. M. et al. Práticas integrativas e complementares: desafios na implementação no Sistema Único de Saúde. Research, Society and Development, v. 11, n.12, e472111234891, 2022. DOI http://dx.doi.org/10.33448/rsd-v11i12.34891 DOI: https://doi.org/10.33448/rsd-v11i12.34891

VILLAVERDE, J. R. Nuevo tratado didático de Auriculomedicina. Madrid: Editorial Hispano Europea S.A, 2020.

ZAMBELLI, J. da C. et al. Como os gerentes percebem as dificuldades de implantação e implementação das Práticas Integrativas e Complementares em Saúde na Atenção Primária à Saúde?. Physis: Revista De Saúde Coletiva, 34, e34056, 2024. https://doi.org/10.1590/S0103-7331202434056pt. DOI: https://doi.org/10.1590/s0103-7331202434056pt

Downloads

Publicado

04-02-2026

Como Citar

SOUZA, Renata; FERREIRA, Suiane Costa. AURICULOTERAPIA PARA PROMOÇÃO DA SAÚDE DA MULHER: UM ESTUDO COM MULHERES NEGRAS EM SITUAÇÃO DE VIOLÊNCIA. Arquivos de Ciências da Saúde da UNIPAR, [S. l.], v. 30, n. 2, p. 639–657, 2026. DOI: 10.25110/arqsaude.v30i2.2026-12367. Disponível em: https://www.revistas.unipar.br/index.php/saude/article/view/12367. Acesso em: 13 fev. 2026.

Edição

Seção

Artigos