UTILIZAÇÃO DE AZITROMICINA NA COVID-19 E RESISTÊNCIA ANTIMICROBIANA
DOI:
https://doi.org/10.25110/arqsaude.v30i2.2026-11979Palavras-chave:
Resistência Microbiana a Medicamentos, Azitromicina, COVID-19, SARS-CoV-2.Resumo
Introdução: A resistência antimicrobiana (RAM) é caracterizada pela capacidade dos microrganismos de sobreviverem à ação de medicamentos anteriormente eficazes, dificultando o controle das infecções e comprometendo os resultados terapêuticos. Esse fenômeno é impulsionado pelo uso impróprio, frequente ou excessivo de antimicrobianos, favorecendo a seleção de cepas resistentes. Durante a pandemia de COVID-19, observou-se um aumento expressivo na prescrição indevida de antibióticos, com destaque para a azitromicina, amplamente utilizada mesmo na ausência de evidências científicas que comprovassem sua eficácia contra o SARS-CoV-2. Esse uso indiscriminado contribuiu para o agravamento da RAM, consolidando-a como um dos principais desafios atuais da saúde pública global. Metodologia: Trata-se de uma revisão narrativa da literatura, cujo objetivo foi avaliar as mudanças na RAM durante a pandemia de COVID-19 e o papel do uso excessivo de antibióticos no aumento da resistência, com foco na azitromicina. Foram consultadas as bases de dados Medline e BVSALUD, por meio de amostragem intencional, resultando na identificação de 95 artigos, dos quais 7 foram incluídos. Os critérios de inclusão contemplaram estudos que relacionassem a COVID-19 à resistência à azitromicina, sendo excluídas pesquisas com modelos animais. Resultados: Os estudos analisados evidenciam que o uso indiscriminado de antibióticos durante a pandemia, especialmente da azitromicina, contribuiu para o avanço da resistência antimicrobiana, com impacto negativo no tempo de internação hospitalar e no perfil das infecções nosocomiais. Três dos sete estudos incluídos relataram aumento da resistência associado ao uso desse fármaco. Conclusão: A pandemia de COVID-19 acelerou o consumo inadequado de antimicrobianos, evidenciando a necessidade urgente de estratégias voltadas ao monitoramento, à prescrição racional e à restrição da dispensação de antibióticos sem indicação médica.
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